Mundo Literário

Lx.ª 21 – Set. 46

Estimados Senhores:

Tendo lido, no nº 20 do Mundo Literário, a vossa declaração «Poesia e Contos», lembrei-me de vos enviar, não sabendo se aceitais colaboração não solicitada, os poemas inéditos que seguem juntamente.

Se interessarem, peço que me digam se publicam todos, se só alguns, e, neste caso, quais pretendem publicar. De qualquer maneira, aliás, agradecia o favor de me avisarem, para eu poder dispor, ou não, dos poemas.

Bem sei que é um pouco abusivo pedir uma resposta: talvez recebam muitos pedidos como este…, mas, assim, sempre saberei se me comprometi ou não comprometi.

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Podem escrever para:

ALEXANDRE O’NEILL
R. Costa Goodolfim, n.º 6 – 1.º Dto.
Lx.ª

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Cumprimentando,
Sou de V. muito grato,

Alexandre O’Neill

Lx.ª 20 Nov. 46

 

Exmo. Sr. Dr. e meu prezado Amigo:

 

Recebi a sua estimada carta, de 19, que agradeço, bem como a extrema gentileza de Mundo Literário, e em resposta ao seu pedido, comunico-lhe que os poemas são inéditos, e que, pela minha parte, não vejo inconveniente em que sejam todos publicados.

Agradecendo que me avise, por um simples postal, ter recebido esta carta, para garantia de que lhe chegou às mãos, apresento a V. Ex.ª os meus melhores agradecimentos e saudações.

 

Alexandre O’Neill

7-XII-46 Lx.ª

 

Exmo. Sr. Dr. e meu prezado Amigo:

 

Agradeço a boa vontade em publicar os meus poemas, mau grado todos os contratempos… Embora me pese a mutilação, não posso deixar de ficar muito grato a Mundo Literário por ter feito o possível.

E agora, a outro assunto.

Não havendo inconveniente, pediria para, no próximo nº de Mundo Literário, publicarem uma nota, fazendo umas correções aos meus poemas. Trata-se do seguinte: «A Bilha» é um ciclo de três poemas; o primeiro, acabando com a terceira quadra; o segundo, terminando em: «…com a água e com a sede / de cada dia»… e o terceiro, começando em: «Serás, bilhas, só a terna» etc. Além disso, no primeiro verso do segundo poema de «A Bilha», onde está: «Bilha só para me ver…» deve ler-se «Bilha só para ver…» Do poema «Acordeão», nada consta…

Muito grato ficaria se fôsse possível a publicação dessa nota.

 

Alexandre O’Neill

NOTA
Espólio de Adolfo Casais Monteiro (Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea – Biblioteca Nacional de Portugal)