Poesia  /  Dezanove Poemas  /  Estórias Quadradinhas: É Proibido o Macê

Estórias Quadradinhas: É Proibido o Macê

Satisfeita a malvada, Datuatia mete o último preso na enxovia, passa a a língua pelo teclado e pelas gengives e diz que este do carvoeiro é que sim, é que pinta. Observada uma aflita à velha, que tem os pintores escondidos atrás do Sagrado Coração e está a dar carapau ao Benfica, Datuatia pega na albarda, resmunga «tèlogomãe». «Não venhas tarde» cacareja a velha num arrasto neopopulista de varizes.

Ao passar pelo Vicente, Datuatia traqueja e diz para a velha das castanhas «troque-me este em miúdos!» e ri-se como um selvagem. A tiazinha fica-se a dar ao abano, como que a espalhar o petisco com que Datuatia a mimoseara. «Que vá gozar a patusca da mãe dele» diz a tiazinha de mistura com outras gentilezas de fazer corar o mais conspícuo, mas já Datuatia virara a esquina na bruta gáspea.

Em menos duma loja de barbeiro, Datuatia chega aos Bilhares, atira o cabedal para uma cadeira, põe a pata em cima do verde e declara que dá quinze às cinquenta a qualquer dos èpás que por ali se coçavam. «Prajá» disse um deles. Chamaram o Rentàterra, que em três trrrins tirou as bolas, depositou-as em cima do verde e preveniu pela estafadésima vez os èpás que era proibido o macê.