Aflora-me um osso

Aflora-me um osso,
tíbia mortal à espera de cruzar-se
com outra tíbia e, já cruzada, sobrepujar-se
da risonha (por irrisão) caveira dos macabros folguedos.
Este o sinal da fortuna assumida: não já vertical mas estendida,
ao longo de uma eternidade bem medida,
que, para muitos seres, será a vida.
Este sinal, temido embora,
do que está já morrido ou de um perigo de morte
que à vida precária vem na hora
do balanço entre vontade e sorte.
E assim jaz, com a morte adiada, um velho pobre
que o aviso do fim já não encobre.

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