A Carpa

Sobre uma colagem de Marina Obo

Fundolho escamado superficiando olho prà carpa.
Vem do fundo do olho que foi ao fundo.
Movindo das profundas move manualetas, num abr’olhos
de peixespanto.
Dizque tacteia águas que estão na água,
trevas que estão na treva. Podeserque.
Carpabricolada, reactiva nossa gula das jóias,
tão segura da sua completude está,
tão cor é na desluz que a encerra (escrínio).
Nada nadando, a carpa vem ao de cima
devolver o olhar com que a virmos.
Olho na carpa de olhos em nós. Por ela e por nós.
Peixespelho, troço de maravilhoso,
atenção!,
a carpa vai fechar a luz.
Fechou. Agora, no escuro, a carpa travestindo-se
para novos feéricos espectáculos pela mão de Marina Obo.
Oh, as carpas amestradas!