Poesia  /  Feira Cabisbaixa  /  A Levedura de Cerveja

A Levedura de Cerveja

Que bem queme tem feito a levedura
‘     de cerveja!
Limpou-me a casposa brotoeja
‘     e a literatura!

Ou será a pulseira japonesa
‘     que me prende à saúde?
Ou esses banhos em que o corpo exsuda
‘     à finlandesa?

À porta dos quarenta todo o cuidado
‘     é pouco!
Devaneios? Pois sim… Allegro ma non troppo…
‘     … e há-de ser dado!

Quem sabe se, minaz, um carcinoma,
‘     do corpo nos recessos,
a estas horas não me faz progressos
‘     a caminho do coma?

Complexado como eu também não há
‘     ninguém!
A não ser, talvez, a minha mãe,
‘     que já lá está…

A vida, mãezinha, foi-te dura,
‘     muito embora…
Adeus, adeus!, que está na hora
‘     da levedura!

A Levedura de Cerveja
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